sábado, 31 de agosto de 2013

João e Maria



Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Chico Buarque

sábado, 17 de agosto de 2013

Em Paz



Caiu do céu, se revelou
Anjo da noite e das manhãs
Pra amanhecer em par, em paz
E quanto mais, melhor
Você, sol de verão que faz chover
Som da maré, é luz e cor
Pro bom da vida acontecer
Onda que invade é o amor
Queria ser navegador
Desse teu mundo estelar
Lua que amansa o meu desejo
Estrela azul, me leva
Caiu do céu, se revelou
Anjo da noite e das manhãs
Pra amanhecer em par, em paz
E quanto mais, melhor
Você, beleza rara de se ver
Mágica música no tom
Uma escultura de Debret
O meu poema de Drummond
Queria ser navegador
Desse teu mundo estelar
Lua que amansa o meu desejo
Estrela azul, me leva
Queria ser navegador
Desse teu mundo estelar
Lua que amansa o meu desejo
Estrela azul, me leva

Uma Bela Mulher


E de repente o que parecia clichê
Num sintoma de ilusão qualquer
Fica assim, tão démodé
Ante o olhar de tão bela mulher.

Nada mais parece ser como antes
Nada mais é tão real
Tudo se desfez gentilmente
Numa emoção natural

Me pego pensando 
Como pode tão imensa beleza?
Um conjunto-perfeição
Linda por natureza.

Digna de meus elogios
Um mero poeta qualquer
Que sabe apreciar verazmente
Os olhos de uma bela mulher!





Igor Santos de Matos



domingo, 11 de agosto de 2013

O Mundo é um Moinho



Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

Cazuza

sábado, 10 de agosto de 2013

Um Homem Inteligente Falando das Mulheres


Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação,
mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia.
Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem.
Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia.
Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios.
Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!

Luis Fernando Veríssimo

domingo, 4 de agosto de 2013

Nostalgia

De que me serviria uma casa com 300 anos de paredes largas
Se nela não estivesse o meu amor?
E qual seria o meu sonho
Se nessa casa tivesse tudo o que quisesse?
O fato é que a alegria não está no amor verdadeiro
Nem mesmo na realização dos sonhos
Mas sim nas dificuldades, pedras e lições que encontramos no caminho!

Infelizmente á controvérsias sobre o extinto e o exato.
O que me faz feliz, sendo eu tão impuro
Ou sendo como for
Só me fará verdadeiramente feliz
Quando se passarem as primaveras todas de uma vida
E quando todas as histórias me forem contadas
Para que um dia eu me sacie de tudo que vive!

Igor Santos de Matos

sábado, 3 de agosto de 2013

Tola Paixão



Se a tenho em vista
À quero por perto.
Se a tenho em mente,
À quero ao lado.

Se a vejo sorrindo,
Quero um abraço!
E se tenho um abraço,
Porque não querer um beijo?

E se a honra de um beijo eu tiver
Ansiar-me ei por uma paixão!
E se louca ela for
Darei o meu coração!

E depois do abraço e do beijo
Da amizade e da paixão,
De todo esse calor,
Tolo eu seria se não desejasse o amor!


Igor Santos de Matos

Bom Gosto

Agora eu queria uma bela
Uma bela com cor de canela
E não precisa ser cinderela
Sendo bom o gosto dela.

Agora eu queria minha bela
Mesmo eu não sabendo quem é ela
Eu a queria bem aqui, na minha janela
E que fosse bom o gosto dela!

Quisera eu ter minha bela
Ouvindo poesia de aquarela
Tomando um vinho ao lado dela
Pronunciando : " Quanto és bela".

Muito feliz seria ela
Tendo eu ao lado dela
Ouvindo batuque de panela
Encantando a cidadela!

Muito feliz faria ela
Se surgisse aqui na minha janela
E meu coração, que acelera
Ia dizer o quanto és bela!

Sendo bom o gosto dela
Eu morava em qualquer favela
Desde que fosse com ela
E que fosse bom o gosto dela!


Igor Santos de Matos

Sampa


Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

Caetano Veloso

Minha bela poesia

Só mesmo a irreverência da poesia pra me feliz em dias como este!
Tudo parece vazio, sem confiança.
Tudo se faz tão nulo, com vasta amplitude de solidão.
Exercito o meu prazer num ápice de perfeição
Sendo eu tão meigo em meu desejo-ilusão!

Vejo que no final tudo vai da certo
Como sempre foi comigo.
Mas veja você que o agora me entristece
E é por essa tristeza que esperava!
Pois cada vez que a encontro, me encontro!

Então não me vejo mais só, nem infeliz
Nem triste, nem desprezado!
Me vejo útil, amigo
Contente e amparado!
Viva a minha bela poesia!


Igor Santos de Matos