De repente estava ali
Deitado, braços cruzados
Olhos vivos...
Em meu torpor-frenesi
Mais morto.
Não havia mais o que fazer
Tudo estava acabado
Mas estavam todos lá
Meus pais, meus irmãos
E todos... Todos os meus amigos.
Lá estava a Bahia
Goiás, Tocantins
São Paulo
E o Acre!
Há o meu Acre...
Meus braços estavam como presos
Meu corpo estava intacto
Tinha um cheiro de flores velhas
Mas eu não sentia
Porque tinha algodão no meu nariz!
Eu via lágrimas
Via pranto, choro...
Dor!
Eu sentia o que sentiam.
Sentiam minha falta.
Eu vi olhos arrependidos
Mas estes eu não entendia o porquê
Até que sussurram ao meu ouvido
Algo como desculpas
E discursos de perdão.
Parecia que era tarde demais pra eles também
E talvez fosse mesmo!
Até que o tempo passou
O café acabou
E a oração terminou.
Então me levantaram ainda deitado
Consolo...
Quanta dor e consolo!
Começaram a andar
Pra onde estariam me levando?
De repente pararam.
Gritos de agonia!
Meu Deus, quantos gritos!
O que está acontecendo?
Aconteceu e ninguém pode fazer mais nada.
Colocaram-me num buraco
Porque estariam me isolando?
Olhei ao lado e vi algo familiar
Vi a corrente de prata do meu avô
Quando voltei o olhar
Estava só.
Tudo havia terminado.
Não via nem ouvia mais nada.
Escuro... Silêncio...
Menos batidas.
Solidão.
Algum tempo depois...
Uma mão.
A luz tornara a brilhar,
E vi um anjo.
Vi a minha mãe!
Não a conhecia,
Mas sabia q era ela
Dei a minha mão
Ela me chamou pelo nome
E voamos!
Assim se iniciou uma nova era!
Uma era milenar
Infinita e feliz!
Eu estava morto,
Mas agora vivo!
Igor Santos de Matos